sábado, 14 de outubro de 2017

A guerra civil do Rio



Rio de Janeiro tem sábado de tiroteios e enterro de 108º policial morto este ano

  • 14/10/2017 13h46
  • Rio de Janeiro


EXCLUSIVA: Nessa guerra aberta, não adianta o Estado, através de sua polícia, se igualar ao bandido. Armas não é a solução para a violência no Brasil.
 



Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil
Tiroteios em diferentes partes do Rio de Janeiro levaram tensão aos moradores neste sábado (14). No Grajaú, na zona norte da cidade, criminosos tentaram roubar um carro na Rua Barão do Bom Retiro, próximo ao antigo Zoológico e, durante a fuga, atiraram e atingiram uma mulher que estava saindo do trabalho. A vítima foi levada para o Hospital Federal do Andaraí. A ação foi registrada pelas câmeras de trânsito do local e policiais tentaram fazer um cerco, mas os criminosos fugiram.

Na comunidade Pavão/Pavãozinho/Cantagalo, na zona sul da cidade, houve confronto, por volta das 7h, entre policiais e criminosos armados durante patrulhamento Rua Saint Roman, segundo o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O policiamento foi intensificado na região e, segundo a Polícia Militar, não há registro de presos ou feridos na operação.

Na Rocinha, também zona sul, por volta das 9h, traficantes atiraram em policiais que estavam na entrada do Beco 199, mas não há relato de feridos.

Enterro
Os corpos do sargento Jorge da Silva Brandão, de 42 anos, e do empresário Manoel Alves Gomes foram enterrados no fim desta manhã no cemitério Jardim da Saudade, na Sulacap, zona norte do Rio. Os dois foram mortos na noite de quinta-feira (12) em uma tentativa de assalto, próximo ao Shopping Grande Rio, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde funciona o parque de diversões de propriedade do empresário.

No momento do assalto, o carro do empresário estava sendo dirigido pelo sargento da PM, que trabalha na UPP da Mangueira. O policial fazia segurança para o dono do parque de diversões. O empresário morreu no local e o sargento chegou a ser levado a atendimento médico mas não resistiu aos ferimentos. O sargento é o 108º policial morto este ano no estado do Rio de Janeiro.

De acordo com a investigação, dois homens abordaram o veículo em que estavam as vítimas já pedindo dinheiro e em seguida atiraram. O carro dos assaltantes foi localizado na região com R$ 2,9 mil, mas, segundo a polícia, não é possível confirmar se esse era o total que estava sendo levado pelo empresário.
Edição: Luana Lourenço

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Comércio acuado



Comércio do Rio gastou quase R$ 1 bilhão com segurança no primeiro semestre
  • 19/09/2017 12h49
  • Rio de Janeiro
Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil

Violência constante incentiva que o comércio feche as portas Fernando Frazão/Agência Brasil

O comércio varejista do município do Rio gastou R$ 996 milhões com segurança de janeiro a junho desse ano. O número foi apresentado na pesquisa Gastos com segurança em estabelecimentos comerciais, do Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio).
Saiba Mais
Dos 750 lojistas entrevistados, 180 já tiveram seus estabelecimentos assaltados, furtados ou roubados – número cerca de 20% maior do que no mesmo período do ano passado.

Do total dos gastos, R$ 667 milhões foram com segurança privada e vigilantes, R$ 289 milhões com equipamentos de vigilância eletrônica e R$ 40 milhões com gradeamento, blindagens, reforços de portas e de vitrines e com seguros.

Para o presidente do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro, Aldo Gonçalves, é como se fosse mais um tributo pago pelos lojistas, que já sofrem com a burocracia e a carga tributária. “A violência urbana na cidade do Rio de Janeiro vem prejudicando bastante o comércio, já afetado pelo quadro econômico do país e, em especial pela crise do Estado do Rio, que tem influído profundamente no comportamento do consumidor, que por um lado fica com medo de sair de casa e por outro reduz seus gastos, entre eles as compras", afirmou.

Mais de 4.150 estabelecimentos comerciais fecharam suas portas entre janeiro e junho na cidade (76% a mais do que no mesmo período do ano passado) e mais de 9,7 mil no estado do Rio (55% a mais do no mesmo período de 2017), destacou Gonçalves.

O dirigente lamentou a crise das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), projeto cuja implantação trouxe esperança para a população e animou os comerciantes, especialmente na Zona Norte da capital fluminense. “Na época, no lugar de inúmeras lojas fechadas nos bairros adjacentes àquelas comunidades, surgiram novos estabelecimentos, com decoração e vitrines modernas, retomando a geração de emprego e movimentando a economia local”, lembrou.

Edição: Lidia Neves