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terça-feira, 19 de abril de 2016

É um golpe vergonhoso



É estarrecedor que um vice-presidente conspire contra a presidente abertamente', diz Dilma Rousseff; veja vídeo
Portal Vermelho | São Paulo - 18/04/2016 - 19h59
'Nenhum governo será legitimo sem ser por obra do voto secreto e direto, numa eleição convocada para este fim. Não se pode chamar de impeachment uma tentativa de eleição indireta', disse a presidente em entrevista coletiva






Indignada e injustiçada, mas com disposição de luta. Assim a presidente Dilma Rousseff descreveu como se sente, no dia seguinte à Câmara aprovar a admissibilidade do processo de impeachment. No primeiro pronunciamento desde a decisão, ela reiterou que não há crime de responsabilidade e fez duras críticas ao vice-presidente Michel Temer (PMDB), a quem acusa de “conspirar” contra seu mandato. De acordo com a mandatária, “a sociedade não gosta de traidores”.

“É estarrecedor que um vice-presidente, no exercício do mandato, conspire contra a presidente abertamente. Em nenhuma democracia do mundo, uma pessoa que fizesse isso seria respeitada”, condenou.

Roberto Stuckert Filho/PR
Durante declaração à imprensa, Dilma ressaltou que não vai renunciar nem encurtar mandato com convocação de eleições gerais

Dilma reforçou que um eventual governo originado deste processo de impeachment, sem base jurídica, não terá legitimidade. “Nenhum governo será legitimo, será um governo em que o povo possa se reconhecer nele, sem ser por obra do voto secreto e direto, numa eleição convocada para este fim. Não se pode chamar de impeachment uma tentativa de eleição indireta”, disse.

Injustiças
A presidenta afirmou que assistiu a todas as intervenções dos parlamentares durante a votação e não viu “discussão sobre o crime de responsabilidade, que é a única maneira de se julgar um presidente no Brasil”.

Dilma disse que se sentia injustiçada por vários motivos. "Considero que esse processo não tem base de sustentação", discursou, acrescentando que iria "insistir numa tecla só", ao defender a legalidade da edição de decretos de suplementação orçamentária, porque se trata da “tecla da democracia”.

"Os atos pelos quais eles me acusam foram praticados por outros presidentes antes de mim e não se caracterizaram como ilegais ou criminosos", disse, ressaltando que as decisões foram tomadas com base em relatórios técnicos e que não beneficiaram ela diretamente. "A mim se reserva um tratamento que não se reservou a ninguém".


De acordo com Dilma, "essa situação só pode provocar uma imensa sensação de injustiça”, porque é uma “violência contra o Brasil, a verdade e o Estado democrático de direito".

A presidente lamentou ainda os sucessivos ataques sofridos ao longo dos últimos meses, que têm atrapalhado seu governo. “Também me sinto injustiçada por outro motivo. Por não permitirem que eu tivesse, nos últimos 15 meses, governado em um clima de estabilidade política. Contra mim, praticaram, sistematicamente, a tática do quanto pior, melhor. É assim: pior para o governo, melhor para a oposição.”

Cunha
Sem citar o nome do presidente da Câmara, Dilma voltou a contrapor sua biografia à de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu no Supremo Tribunal Federal e condutor do impeachment na Câmara. Ela reiterou que o peemedebista aceitou o pedido de impeachment por “vingança”, pelo fato de o seu partido e o governo terem negado apoio e ele no processo no Conselho de Ética.

Lula Marques/ Agência PT
"De certa forma, eu estou tendo meus sonhos torturados, meu direito torturado. Mas não vão matar em mim a esperança", afirmou

“Não há contra mim acusação de corrupção. Não fui acusada de ter contas no Exterior. Por isso, eu me sinto injustiçada. Aqueles que praticaram atos ilícitos e têm contas no Exterior, presidem a sessão sobre uma questão tão grave como o impedimento de um presidente da República”, disparou.

Força, esperança e coragem
Dilma voltou a defender que o processo aprovado contra ela na Câmara é um golpe contra a democracia e que, assim como fez na juventude, quando lutou contra a ditadura e chegou a ser torturada, não irá desistir. “Enfrentei a ditadura por convicção e hoje faço o mesmo. Um golpe de estado que não é igual ao da minha juventude, mas infelizmente é o golpe da minha maturidade, em que se usa de uma aparência de processo legal”, disse.

A presidenta afirmou que “vivemos tempos difíceis” e que o “mundo e a história nos observam”. Mas destacou: “Tenho ânimo, força e coragem suficiente para enfrentar essa injustiça”, declarou.

Emocionada, disse que todo esse processo lhe entristece, mas não lhe abate. “De certa forma, eu estou tendo meus sonhos torturados, meu direito torturado. Mas não vão matar em mim a esperança. Sei que a democracia é o lado certo”, revelou.

Sobre essa nova fase, que se inicia com a chegada do processo ao Senado, Dilma deixou claro que vai se defender e que a luta só começou. “Nós estamos no início da luta. Essa luta será muito longa e demorada. Não é por mim e pelos 54 milhões de votos que recebi. É uma luta de todos os brasileiros e uma luta pela democracia”, afirmou.

A petista disse que não avalia a possibilidade de apresentar ao Congresso Nacional um projeto para antecipar a eleição presidencial. E disse que não abrirá mão dos instrumentos existentes para defender a democracia. "Não é judicializar processos, mas exercer em todas as dimensões o direito de defesa".

Ministros
Questionada por jornalistas, Dilma disse esperar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa assumir o posto de ministro da Casa Civil ainda nesta semana, quando o Supremo pode se pronunciar a respeito. “Lula, de fato, tem me ajudado muito. Esperamos que, nesta semana, seja autorizada a vinda dele para a Casa Civil. Certamente ele virá.”

A presidente declarou que não deve modificar ministérios ou movimentar cargos. A não ser as pastas ocupadas por aqueles que votaram a favor do governo, caso de Mauro Lopes (PMDB-MG), que era Secretário da Aviação Civil. "Estes não podem permanecer no governo por uma simples questão de consequência de seus próprios atos", diz. "Estranho seria o contrário".

Dilma disse ainda que, passada mais esta etapa do embate político, será necessário um "rearranjo no governo" e a construção de "um novo caminho". "Eu enfrentei um terceiro turno e agora vou para o quarto turno. Depois do quarto turno, teremos de ter um novo rearranjo do governo", disse, defendendo que o Congresso não fique "parado" e encaminhe as propostas enviadas pelo Executivo e que tramitam na Casa.

Texto publicado originalmente pelo Portal Vermelho

sábado, 5 de dezembro de 2015

Aproximação estratégica

'Argentina e Brasil devem estar mais unidos do que nunca', diz Macri a empresários na Fiesp
Patrícia Dichtchekenian | São Paulo - 04/12/2015 - 15h22
A dias de tomar posse na Argentina e horas depois de visitar Dilma em Brasília, presidente eleito busca atrair interesse de empresariado brasileiro em SP
  



Poucas horas após Maurício Macri visitar em Brasília a presidente brasileira, Dilma Rousseff, o presidente eleito da Argentina almoçou nesta sexta-feira (04/12) com Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

O encontro aconteceu na sede do órgão, na Avenida Paulista, e teve a presença de 145 empresários brasileiros, segundo a Fiesp.
Agência Efe

Mauricio Macri, presidente eleito argentino, em entrevista coletiva à imprensa em Brasília nesta sexta-feira (04/12)

A vinda de Macri representa uma tentativa da futura administração argentina de atrair investimentos estrangeiros, principalmente o interesse de empresários brasileiros, com quem Buenos Aires tem relações comerciais estreitas. No encontro, ele pediu pelo término das travas comerciais entre os dois países.


Perante os empresários, Macri destacou a importância de gerar empregos na Argentina e expressou desejo de estreitar relações com as indústrias brasileiras com base na "confiança" e "previsibiidade".

"Nessa nova etapa, temos um desafio estrutural: criar empregos. Na Argentina, estamos maduros agora para um caminho de desenvolvimento de iniciativas que gerem novos trabalhos", afirmou o presidente eleito. "Neste governo, quero apoiar todo o espírito empreendedor do pais", acrescentou.

Segundo Macri, em seu encontro com Dilma pela manhã, ele disse que a mandatária prometera um "reencontro o mais rápido possível para impulsionar a integração" bilateral.


"Juntos, Argentina e Brasil devem estar mais unidos do que nunca", disse o futuro chefe de Estado argentino.
 

Por sua vez, Skaf demonstrou contentamento com a vitória do líder da coalizão conservadora Cambiemos, condecorando-o com o Mérito industrial de São Paulo.

"A visão do presidente é a nossa visão: de modernidade, de economia liberal, de agilidade. Por essas razões, é uma honra recebê-lo", disse o presidente da Fiesp a Macri. "A sua vitória é um novo sinal de modernidade e inicia um novo ciclo em nosso continente". Figura do neoliberalismo argentino, Macri venceu no dia 22 de novembro o candidato apoiado por Cristina Kirchner, Daniel Scioli, colocando fim a 12 anos de kircherismo em um segundo turno inédito na história do país. Ele tomará posse na próxima quinta-feira (10/12) à frente da Casa Rosada.


Encontro no Planalto

Em sua primeira viagem oficial ao exterior, Macri esteve acompanhado de seu chefe de gabinete, Marcos Peña, e da futura ministra das Relações Exteriores, Susana Malcorra.

No Palácio do Planalto, Dilma os recebeu com o chanceler, Mauro Vieira, e o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Everton Vargas. O encontro ocorreu em tom cordial e Macri reiterou que "confia nas instituições do país e na democracia brasileira".

A visita de Maurício Macri ao país já havia sido antecipada por ele mesmo em sua primeira coletiva de imprensa depois de ser confirmado como novo chefe de estado da Argentina.  Na ocasião, ele dissera que Brasília é "o principal sócio do futuro" da Argentina.

Nova diplomacia argentina

Entre suas próximas medidas, o novo presidente argentino já havia anunciado que irá invocar a cláusula democrática contra Venezuela na próxima Cúpula do Mercosul – prevista para o dia 21 de dezembro em Assunção (Paraguai) — e que proporá ao Congresso a invalidação do memorando de entendimento com o Irã.

Dilma já havia felicitado Macri por sua vitória e o convidou para "trabalharem juntos" em favor de uma relação mais próxima, tanto entre os dois países como no Mercosul. Contudo, nesta semana, ela destacou que a cláusula democrática do bloco "não pode ser usada com base em hipóteses", que é preciso "haver fatos concretos" no caso venezuelano.