Mostrando postagens com marcador apple. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador apple. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Cabos falsos de iPhone que hackeiam seu computador serão produzidos e vendidos em massa

 A produção foi terceirizada para uma fábrica, segundo o pesquisador de segurança por trás dos cabos.




Logo será mais fácil conseguir um cabo que parece um cabo lightning legítimo da Apple, mas que permite que você sequestre remotamente um computador. O pesquisador de segurança por trás da ferramenta recém-desenvolvida anunciou no final de semana que o cabo passara a ser produzido numa fábrica.


“Desmontei completamente o cabo para ter certeza que não haveria problemas de produção. Eu tinha que me certificar de que tudo estava perfeito!”, disse o pesquisador de segurança MG ao Motherboard num chat online.


MG é o criador do Cabo O.MG. Ele carrega os celulares e transfere dados do mesmo jeito que um cabo Apple, mas contêm um hotspot wireless ao qual um hacker pode se conectar. Depois disso, um hacker pode comandar o computador e ver os arquivos da vítima, por exemplo.




“Depois de meses de trabalho, estou finalmente segurando o primeiro #OMGCable totalmente feito numa fábrica”, MG tuitou no sábado.


“Estou sendo muito transparente sobre o processo”, MG disse a Motherboard. “Quase todo mundo que fabrica alguma coisa tenta manter segredo até o dia do lançamento, quando revela a coisa completa e ela já está pronta para venda ou pelo menos tem uma data para começar a ser vendida.”


Isso não quer dizer necessariamente que essa fábrica está inundando o mercado com cabos O.MG agora, mas mostra que a fabricação pode ser inteiramente terceirizada, e MG não tem mais que fazer os cabos manualmente.


Hak5, uma empresa que vende ferramentas hacker e de cibersegurança, vai distribuir o produto quando estiver pronto. O site da Hak5 diz: “O Cabo O.MG™ é resultado de meses de trabalho que renderam um cabo USB malicioso altamente secreto. Assim que o cabo é plugado, ele pode ser controlado através de uma interface de rede wireless que fica dentro do acessório”.


“A primeira leva de amostras produzidas inspira confiança. Estamos equilibrando o número de fatores para produzir esses gadgets maliciosos – e acho que todo mundo vai ficar empolgado com o produto final”, disse Darren Kitchen, fundador da Hak5, por e-mail. “O processo de produção é bem direto, considerando nossa experiência com implantes de penetração. MG e sua equipe supervisionaram todos os aspectos do projeto, e a atenção deles aos detalhes é incrível.”

MG disse que nunca produziu nada em massa antes.


“Essa é a primeira vez que faço algo assim, então não tenho um bom ponto de referência”, ele disse. “Mas aprender como fazer isso foi muito mais fácil que aprender a criar os protótipos finais. A maior parte disso é esperar cada 'rodada' se desenrolar. Mas ter a Hak5 me ajudando a ligar os pontos tem sido ótimo, porque não sei onde eu conseguiria encontrar informação sobre isso de outro jeito.” MG acrescentou que eles ainda precisam programar e testar a qualidade dos cabos.


Um porta-voz da Apple apontou a primeira frase da página de ajuda “Identifique acessórios conectores lightning falsos ou piratas” da empresa: “A Apple recomenda usar apenas acessórios Apple certificados que vêm com o selo MFi”. O selo MFi na embalagem mostra que o cabo é certificado pela Apple.

Noticias: https://www.vice.com/pt/article/3kx5nk/cabos-falsos-de-iphone-que-hackeiam-seu-computador-serao-produzidos-e-vendidos-em-massa

domingo, 21 de fevereiro de 2016

É real. É espetacular!



Nelson Mattos: realidade virtual mexe com a emoção
Doutor em Ciências da Computação, gaúcho, residente no Silicon Valley, Califórnia
Por: Nelson Mattos
21/02/2016 - 05h01min | Atualizada em 21/02/2016 - 05h01min











Durante anos, filmes de ficção científica criaram civilizações futuras com naves intergalácticas e robôs mais inteligentes que nós. Embora (até agora) a maioria das previsões não tenha se concretizado, uma tem se tornado cada vez mais real: a simulação da vida real por computadores — em termos técnicos, realidade virtual e aumentada. Como nos filmes, somos transportados virtualmente para outros ambientes para termos determinada experiência ou vermos o que acontece. Desenvolvimentos tecnológicos mais recentes têm trazido até nós várias das surpreendentes realidades virtuais e aumentadas dos filmes de ficção científica.

Mas o que são exatamente realidade virtual e aumentada?

A realidade virtual (RV) cria um ambiente que simula a presença física no mundo real ou imaginário, permitindo que o usuário não só nele interaja, mas tenha, por meio da visão, tato, audição e olfato, a "sensação" de estar lá. O ambiente simulado pode ser similar ao mundo real, proporcionando experiências como em simulações de treinamento de pilotos ou missões de combate, ou ser bem diferente da realidade, como nos jogos de RV, bastante populares entre os jovens.

A realidade aumentada (RA) combina elementos da RV com a vida real. Os usuários podem interagir com o conteúdo virtual no mundo real, sempre percebendo, porém, a diferença entre os dois. Um bom exemplo de RA é o Google Street View: você "passeia" virtualmente por ruas e locais do mundo, interagindo com o conteúdo virtual (imagens do mundo real), sem ter, porém, a "sensação" de estar lá.

Na RA, você "mergulha" no conteúdo virtual composto por imagens do mundo real. Já na RV, é o ambiente simulado que "cresce" à sua volta, provocando sensações em você.
São várias as aplicações de RA já no mercado. Na arquitetura, é usada para criar modelos 3D para se ver o prédio e caminhar virtualmente por seu interior. É amplamente utilizada por militares para enviar em tempo real dados aos óculos de RV dos soldados para auxiliar na navegação e avisá-los de perigos. Uma das minhas aplicações favoritas de RA é a visualização prévia do uso de um produto no smartphone. Quem nunca viu algo e pensou... "será que ficaria bem"? Instale o aplicativo de RA "Coral Visualizer" das tintas Coral no seu celular e veja as paredes de sua casa pintadas de outra cor. Com a tecnologia RA do ModiFace Mirror, você vê seu rosto na tela do celular, escolhe cosméticos e batons, e "aplica" no seu rosto até encontrar os que mais combinam com sua pele. Vídeo ilustrativo: modiface.com/mirror. A mesma tecnologia é usada para mostrar o efeito de Botox, tratamentos de pele ou cortes de cabelo.

Até então com pouca expressão comercial, a RV evoluiu rápida e significativamente em 2015. Grandes marcas, estúdios de cinema, empresas de jogos e novas organizações fizeram avanços incríveis na criação de conteúdo usando a tecnologia. Recentemente, o "The New York Times" enviou mais de um milhão de Google Cardboards (óculos RV de papelão que, conectados ao smartphone Android ou, dependendo do aplicativo, ao iPhone, possibilitam experiências RV) a todos assinantes para promover seu novo aplicativo — NYT VR. Nele você pode "andar" pelas cenas de filmes e documentários, virando para lá e para cá, da mesma forma que "anda" pelas ruas no Street View. Veja alguns vídeos em nytimes.com/newsgraphics/2015/nytvr/. Para intensificar a experiência, use um Google Cardboard (menos de US$ 20) e fones de ouvido. Não tem óculos de RV? Sem problemas, role o vídeo com o mouse, como faz no Street View.

Em 2015, big players como Google, Microsoft, Facebook e Apple também lançaram ótimas aplicações, buscando a liderança no mercado de RA e RV. Foram várias aquisições, e os investimentos em realidade virtual e aumentada atingiram um recorde de US$ 700 milhões, sendo US$ 250 milhões só no Q4 2015.

Acredito que 2015 foi o primeiro ano no qual essas tecnologias foram realmente aceitas pelo usuário, e 2016 será o ano em que começarão a alcançar o grande público.

Com o YouTube suportando agora vídeos em 360°, e o Cardboard suportando YouTube e Street View, você não precisa mais do mouse para "olhar" para a direita ou esquerda. É só virar a cabeça. A Google já tem 5 milhões de usuários de Cardboard no mundo com mais de 25 milhões de aplicativos instalados, mais de 350 mil horas de vídeos de RV foram vistos no YouTube e mais de 750 mil fotografias já foram tiradas com Cardboard. No Facebook, usuários também já podem acessar vídeos em 360° e ter experiências RV.

E como são criados vídeos em 360°? Como na criação do Google Street View, são necessárias câmeras especiais sincronizadas para criar vídeos em 360°. Em 2015, vários fabricantes lançaram câmeras 360°, desde a pequena Ricoh Theta S (US$ 349) até a Nokia Ozo para profissionais (US$ 60.000). Oculus, Samsung, Sony e HTC têm agora versões sofisticadas de óculos de RV que são, basicamente, Google Cardboards turbinados, mais confortáveis e com hardware especializado em captação de movimentos.

Com vídeos em 360°, a RV dominou o uso da tecnologia em 2015 e continua em plena expansão.

Fomentar a educação por meio da RV é foco do projeto Google Expeditions (veja google.com/edu/expeditions). Professores escolhem um destino e, usando Cardboards, levam seus alunos em excursões virtuais à Veneza ou à Grande Muralha da China. Mais de 500 mil estudantes já participaram do projeto. Já imaginou as mudanças positivas que essa tecnologia trará não só à educação, mas também ao turismo?

Na verdade, veremos grandes mudanças em todas as formas de experiência visual. Em breve, você colocará óculos de RV e assistirá a um jogo como se estivesse no melhor local do estádio. Loucura? Não é. Em outubro passado, quem tinha um Samsung Gear VR pôde assistir, em tempo real, a um jogo de basquete entre dois grandes times americanos "sentado" em uma cadeira de US$ 600 no estádio de Oakland, Califórnia, sem pagar um centavo. Virando a cabeça, conseguia ver o que quisesse. Até a pessoa que pagou US$ 600 para ver o jogo "sentado" a seu lado.

2015 foi um ótimo ano para a RV. O caminho está aberto para que atinja massa crítica e conquiste público em 2016. A tecnologia evoluiu o suficiente para garantir que o usuário fique totalmente imerso no conteúdo. Nada de distrações, e-mails ou mensagens nas redes sociais. A realidade virtual prende sua atenção, altera seus batimentos cardíacos e mexe com sua emoção.